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Direito Penal

PL da Dosimetria é aprovado pela Câmara: Entenda o novo marco da dosimetria penal

Carlos Moura Carlos Moura 10/12/2025 9 minutos
O novo PL da Dosimetria altera critérios de pena, progressão e regime. Entenda os impactos práticos para a atuação de advogados criminalistas.
PL da Dosimetria é aprovado pela Câmara: Entenda o novo marco da dosimetria penal

A aprovação do PL da Dosimetria pela Câmara dos Deputados marca uma alteração significativa nas regras de cálculo e execução de penas no Brasil. 

A proposta, aprovada em Plenário com 291 votos a favor e 148 contra, redefine critérios de dosimetria, progressão de pena e regime de cumprimento, o que impacta diretamente a execução penal de condenados por crimes graves. 

Para advogados, consultores e operadores do Direito criminal, o projeto exige revisão estratégica das teses, defesas e acordos à luz das novas regras. 

Neste artigo você vai entender o que o PL 2162/23 prevê, quais mudanças operacionais ele traz, e como profissionais do Direito devem se preparar para os novos cenários. 

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O que é o PL da Dosimetria e qual a sua finalidade?

O chamada PL da Dosimetria (PL n° 2162/2023) é um projeto que pretende modificar regras gerais de cálculo da pena e de execução penal, redefinindo critérios como concurso de crimes, frações de aumento e redução, progressão de regime e parâmetros para individualizar a sanção. 

A proposta busca uniformizar a aplicação da pena em casos de crimes praticados em contexto coletivo e reorganizar a forma como o Judiciário calcula e revisa penas privativas de liberdade. 

Na prática, o texto pretende criar balizas mais específicas para diferenciar condutas principais de condutas secundárias e ajustar o regime de cumprimento conforme o grau de participação de cada envolvido.

Além disso, a finalidade da proposta de lei é recalibrar a dosimetria e permitir “tratamento mais brando” para aqueles condenados que não tiverem exercido liderança, financiarem ou coordenarem os atos.

Por meio dessa recalibragem, o PL da Dosimetria prevê redução de pena, potencial progressão mais rápida de regime e mudanças no critério de somatório de condutas. 

O objetivo formal é adaptar a pena à participação efetiva do agente, diferenciando líderes, financiadores ou organizadores de participantes com menor grau de envolvimento, antes de aplicar o regime mais rigoroso de cumprimento.

Para acompanhar o trâmite legislativo da PL n° 2162/2023, basta acompanhar esse link!

Quais as principais mudanças previstas pelo texto aprovado?

Com a aprovação na Câmara, o projeto visa alterar dispositivos do Código Penal Brasileiro e da Lei de Execução Penal para modificar a dosimetria e o regime de penas. 

Entre as principais mudanças propostas pela PL 2162/23 estão:

  • Redução de pena para condenados que participaram dos atos sem liderar ou financiar. 
  • Vedação à cumulação automática de penas quando crimes ocorrerem no mesmo contexto, aplicando concurso formal em vez de concurso real. 
  • Permissão de progressão de regime mais cedo, com base no cumprimento de apenas 1/6 da pena inicial para regime menos rigoroso (em vez de períodos mais longos atualmente previstos). 
  • Possibilidade de pena privativa de liberdade ser cumprida em regime domiciliar com direito à remição por trabalho ou estudo, conforme novos critérios do PL. 

Essas mudanças representam uma reformulação estrutural na dosagem e execução penal, com impacto direto sobre condenações recentes e futuras.

Para quem vale o PL da Dosimetria e quando ele pode ser aplicado?

O PL da Dosimetria (PL 2162/23) vale para condenados pelos crimes relativos aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado. 

A aplicação depende da aprovação definitiva pelo Senado e sanção presidencial. Atualmente, o texto segue para o Senado Federal. 

Para acompanhar o trâmite legislativo da PL n° 2162/2023, basta acompanhar esse link!

Se for aprovado, poderá retroagir, conforme o princípio da lei mais benéfica, para beneficiar condenados cujas penas ainda não foram definitivamente cumpridas ou para regime de execução. 

A adoção não extingue as condenações, mas recalcula a pena, o que pode provocar diminuição significativa do tempo de prisão ou antecipação de progressão de regime.

O Projeto de Lei da Dosimetria configura anistia aos condenados?

Não. O PL da Dosimetria não configura anistia, que seria o perdão legal dos crimes cometidos. 

Apesar desta ter sido a proposta inicial, o texto aprovado pela Câmara (e que agora passa para análise do Senado), trata da redução de pena e demais regras de dosimetria.

Contudo, essa diferença técnica é essencial para advogados compreenderem o alcance da norma: enquanto a anistia extingue a punibilidade e apaga os efeitos penais da condenação, a redução de pena mantém a condenação, mas diminui o quantum de sanção aplicado e o tempo necessário para progressão entre os regimes.

Na prática forense, isso significa que, caso o projeto seja aprovado e transformado em lei, não haverá extinção automática das condenações. Os réus continuarão cumprindo suas penas, mas com novos parâmetros de cálculo e progressão. 

Advogados deverão peticionar junto aos juízos de execução penal solicitando a aplicação retroativa da lei mais benéfica, conforme determina o artigo 5º, inciso XL, da Constituição Federal. 

Os magistrados então recalcularão as penas e estabelecerão novos marcos temporais para progressão de regime.

PL da Dosimetria é aprovado pela Câmara Entenda o novo marco da dosimetria penal.

Quais implicações jurídicas imediatas para advogados criminalistas?

Para advogados, o PL 2162/23 exige reavaliação de toda estratégia de defesa e execução penal. As principais implicações são:

  • Necessidade de reanalisar penas e regimes de cumprimento à luz da nova regra, podendo requerer recálculo ou readequação de penas.
  • Oportunidade de apresentar pedidos de progressão de regime ou de execução domiciliar para clientes já condenados.
  • Possibilidade de desmobilização de defesas centradas em prisões longas, abrindo espaço para renegociação de regimes.
  • Atenção ao desenvolvimento da tramitação no Senado e eventual sanção — sem isso, as regras atuais continuam vigentes.
  • Preparação de contencioso estratégico com base nas novas dosagens, especialmente para réus com participação considerada secundária ou sem liderança.

Que cuidados e desafios permanecem mesmo com a aprovação do PL 2162/23?

Apesar das mudanças, há incertezas e desafios que advogados devem observar na possível aplicação da PL da Dosimetria:

  • A lei ainda precisa ser aprovada pelo Senado e sancionada para ter validade definitiva. Qualquer modificação em plenário pode alterar substancialmente o texto.
  • Mesmo com a dosimetria alterada, crimes graves e de alta periculosidade podem continuar sujeitos a regime rigoroso, especialmente se houver violência, liderança ou financiamento.
  • A retroatividade será avaliada caso a caso, o que exige vigilância sobre jurisprudência e eventuais vetos ou interpretações restritivas.
  • A aplicação da nova norma dependerá da análise do contexto fático, o que demanda diligência probatória e técnica na defesa.

O que o PL da Dosimetria representa para o sistema penal e para o Estado de Direito?

O PL da Dosimetria representa uma tentativa de readequação do sistema penal brasileiro às consequências de condenações em massa por crimes políticos ou coletivos. 

Por um lado, ele busca individualizar a pena, diferenciando a atuação de líderes e participantes de menor grau de envolvimento. Isso pode contribuir para um sistema mais justo e proporcional.

Por outro lado, a proposta levanta debates sobre segurança institucional, memória coletiva e a mensagem enviada pelo Estado sobre a punição de crimes graves contra a ordem democrática. 

Para advogados, o PL 2162/23 exige sensibilidade e estratégia, equilibrando defesa técnica com compreensão dos riscos políticos e sociais envolvidos.

Desde já, profissionais do Direito devem monitorar o trâmite no Senado e preparar contornos de atuação para diferentes cenários: aprovação, vetos ou alterações substantivas.

Leia também nosso artigo Lei 15.272/2025 altera CPP com novas regras sobre prisão preventiva, audiência de custódia e coleta de DNA

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O que é o PL da Dosimetria?

É o PL nº 2162/2023, que modifica regras de cálculo da pena e de execução penal, como concurso de crimes, frações de aumento e redução e progressão de regime. Foi aprovado na Câmara por 291 votos a 148.

Qual a finalidade do PL da Dosimetria?

Recalibrar a dosimetria para diferenciar líderes, financiadores e organizadores de participantes com menor envolvimento. O texto prevê tratamento mais brando para quem não liderou, financiou nem coordenou os atos.

Quais são as principais mudanças previstas no texto?

Redução de pena para quem participou sem liderar ou financiar, aplicação de concurso formal em vez de concurso real para crimes no mesmo contexto e progressão com 1/6 da pena. Também prevê regime domiciliar com remição por trabalho ou estudo.

A quem se aplica o PL da Dosimetria?

Aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado.

O PL da Dosimetria já está em vigor?

Não. O texto aprovado pela Câmara segue para o Senado e ainda depende de aprovação e sanção presidencial. Até lá, as regras atuais continuam valendo.

O PL da Dosimetria é uma anistia?

Não. A anistia extingue a punibilidade e apaga os efeitos penais da condenação. O PL mantém a condenação e reduz a pena e o tempo necessário para a progressão.

A nova lei pode retroagir?

Se aprovada, poderá retroagir como lei mais benéfica, conforme o art. 5º, XL, da Constituição. Os advogados deverão pedir ao juízo da execução o recálculo das penas, e a retroatividade será avaliada caso a caso.

O que os advogados criminalistas devem fazer diante do PL?

Reanalisar penas e regimes dos clientes, preparar pedidos de recálculo, progressão ou execução domiciliar e acompanhar a tramitação no Senado, inclusive eventuais vetos ou alterações.

Carlos Moura Carlos Moura 10/12/2025

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