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Pedido contraposto: quando cabe e como fazer no Juizado Especial?

Carlos Silva Carlos Silva 10/09/2026 8 minutos
Saiba como funciona o pedido contraposto no Juizado Especial, em quais situações pode ser apresentado e quais cuidados o advogado deve ter ao formulá-lo na contestação.
Pedido contraposto: quando cabe e como fazer no Juizado Especial?

Ao elaborar uma contestação no Juizado Especial, o advogado pode perceber que não basta pedir a improcedência da ação. Em algumas situações, o próprio réu possui uma pretensão contra o autor decorrente dos fatos discutidos no processo.

Nesse caso, pode ser cabível formular um pedido contraposto. Por meio dele, o réu apresenta uma pretensão em seu favor na própria contestação, evitando a necessidade de iniciar outra ação.

Neste artigo, você entenderá quando o pedido contraposto é admitido, quais requisitos devem ser observados e como apresentá-lo corretamente.

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O que é pedido contraposto?

O pedido contraposto é a pretensão formulada pelo réu contra o autor dentro da própria contestação no Juizado Especial Cível.

Isso significa que o réu não se limita a rebater os pedidos apresentados na petição inicial. Ele também solicita ao juízo uma providência em seu favor, como o pagamento de uma indenização ou o ressarcimento de determinado prejuízo.

Imagine, por exemplo, que o autor ajuíze uma ação alegando ter sofrido danos em razão de uma colisão de veículos. Caso o réu sustente que o acidente foi causado pelo próprio autor e também tenha suportado prejuízos, poderá apresentar pedido contraposto para buscar o respectivo ressarcimento.

A possibilidade está prevista no art. 31 da Lei nº 9.099/1995.

Quando cabe pedido contraposto no Juizado Especial?

O pedido contraposto cabe quando o réu possui uma pretensão contra o autor fundada nos mesmos fatos discutidos na ação.

Portanto, deve existir uma relação direta entre o pedido apresentado pelo autor e aquele formulado pelo réu. Não é suficiente que as partes tenham outra pendência sem ligação com a controvérsia analisada no processo.

Além disso, o pedido deve respeitar os limites de competência do Juizado Especial estabelecidos pelo art. 3º da Lei nº 9.099/1995. Entre eles estão o valor da causa, que não pode ultrapassar 40 salários mínimos, e a menor complexidade da demanda.

O pedido contraposto pode ser utilizado, por exemplo, em conflitos envolvendo:

  • acidentes de trânsito nos quais ambas as partes alegam ter sofrido prejuízos;
  • contratos em que autor e réu atribuem um ao outro o descumprimento da obrigação;
  • relações de consumo nas quais o réu afirma ter um crédito relacionado ao mesmo negócio;
  • danos materiais ou morais decorrentes dos fatos narrados na petição inicial.

Se a pretensão do réu estiver baseada em fatos completamente diferentes, será necessário avaliar o ajuizamento de uma ação própria.

Quais são os requisitos do pedido contraposto?

Antes de formular o pedido contraposto, o advogado deve verificar se estão presentes os seguintes requisitos:

  • existência de uma pretensão própria do réu contra o autor;
  • relação do pedido com os mesmos fatos discutidos na ação;
  • observância dos limites de competência do Juizado Especial;
  • apresentação do pedido na contestação;
  • exposição clara dos fatos e dos fundamentos jurídicos;
  • indicação precisa da providência pretendida;
  • apresentação dos documentos e das demais provas disponíveis.

Também é importante que o pedido seja determinado e, quando possível, acompanhado da indicação do valor pretendido. Em pedidos indenizatórios, por exemplo, o advogado deve demonstrar qual foi o prejuízo suportado e como chegou ao valor solicitado.

Depois da apresentação, o autor poderá responder ao pedido contraposto na própria audiência ou solicitar nova data para apresentar sua manifestação, conforme prevê o parágrafo único do art. 31 da Lei nº 9.099/1995.

Como fazer o pedido contraposto na contestação?

O pedido contraposto deve ser apresentado na própria contestação, preferencialmente em um tópico específico e claramente identificado.

Após desenvolver a defesa contra a pretensão do autor, o advogado pode organizar o pedido contraposto da seguinte forma:

1. Demonstre a relação com os fatos da ação

Explique por que a pretensão do réu decorre dos mesmos acontecimentos narrados na petição inicial. Essa vinculação é indispensável para a admissão do pedido.

2. Apresente os fundamentos

Descreva a conduta atribuída ao autor, o direito do réu e os prejuízos sofridos. Quando necessário, indique os dispositivos legais aplicáveis e os documentos que comprovam as alegações.

3. Especifique o pedido

Informe com clareza qual providência o réu espera obter. Se o objetivo for o ressarcimento de danos materiais, por exemplo, indique o valor e apresente os respectivos comprovantes.

4. Reforce o pedido ao final da contestação

Nos requerimentos finais, o advogado deve pedir expressamente o recebimento e a procedência do pedido contraposto, além da condenação do autor ao cumprimento da obrigação pretendida.

Uma formulação básica pode seguir esta estrutura:

Diante dos fatos expostos, requer o recebimento do pedido contraposto e, ao final, sua procedência, para condenar o autor ao pagamento de R$ [valor], correspondente aos prejuízos demonstrados nos documentos anexados.

O conteúdo deverá ser adaptado aos fatos, às provas e à pretensão específica de cada caso.

Como a Jurídico AI pode ajudar na elaboração do pedido contraposto?

A elaboração de uma contestação com pedido contraposto exige duas análises diferentes. O advogado precisa rebater a pretensão do autor e, ao mesmo tempo, demonstrar o direito do réu com base nos fatos e nas provas do processo.

Na Jurídico AI, o advogado pode anexar a petição inicial, contratos, conversas, comprovantes e outros documentos relacionados ao caso. A plataforma analisa essas informações para identificar inconsistências nas alegações do autor, pontos que precisam ser contestados e elementos que podem fundamentar uma pretensão do réu.

Antes de elaborar a peça, a Jurídico AI apresenta uma estratégia com os principais argumentos, provas disponíveis, documentos que ainda podem ser necessários e possíveis argumentos da parte contrária. O advogado revisa essa estrutura e decide se o pedido contraposto é adequado ao caso.

Assim, a tecnologia não apenas auxilia na redação da contestação, mas também ajuda a organizar uma atuação completa: defender o réu, relacionar a pretensão aos fatos discutidos e formular o pedido contraposto de maneira clara e fundamentada.

Conclusão

O pedido contraposto permite que o réu formule uma pretensão contra o autor no próprio processo do Juizado Especial. Para que seja admitido, entretanto, deve estar relacionado aos mesmos fatos discutidos na ação e respeitar os limites previstos na Lei nº 9.099/1995.

Ao preparar a contestação, o advogado deve demonstrar essa relação, apresentar os fundamentos jurídicos, reunir as provas e formular um pedido claro e específico. Esses cuidados evitam que a pretensão seja tratada apenas como argumento defensivo ou deixe de ser analisada pelo juízo.

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O pedido contraposto deve ser apresentado na contestação?

Sim. De acordo com o art. 31 da Lei nº 9.099/1995, o réu deve formular o pedido contraposto na própria contestação.

O pedido contraposto precisa estar relacionado à ação principal?

Sim. A pretensão do réu deve estar fundada nos mesmos fatos que constituem o objeto da controvérsia apresentada pelo autor.

O pedido contraposto pode ultrapassar o valor pedido pelo autor?

O valor do pedido contraposto não precisa ser igual ou inferior ao pedido do autor. Contudo, deve respeitar o limite de competência do Juizado Especial, inclusive o teto de 40 salários mínimos.

O autor pode se defender do pedido contraposto?

Sim. O autor poderá responder na própria audiência ou requerer a designação de uma nova data para apresentar sua manifestação.

É possível pedir indenização por danos morais no pedido contraposto?

Sim, desde que o pedido de indenização esteja relacionado aos mesmos fatos discutidos na ação e seja devidamente fundamentado.

O pedido contraposto pode ser apresentado contra terceiro?

Não. O pedido contraposto deve ser formulado pelo réu contra o autor da ação. Uma pretensão contra terceiro deverá ser discutida pela via processual adequada.

Carlos Silva Carlos Silva 10/09/2026

Formado em Direito e pesquisador nas áreas de Direito Civil e Tecnologia. Possui experiência prática na redação de peças jurídicas e no desenvolvimento de estratégias processuais. Atua com marketing, produção de conteúdo jurídico e SEO. Produz conteúdos que aproximam o Direito da tecnologia, com informações claras, relevantes e aplicáveis à rotina dos advogados.

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