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Sustentação Oral: Estratégias para Engajar os Julgadores

Larissa Santos Teles Larissa Santos Teles 18/02/2025 11 minutos
Estratégias e dicas essenciais para uma sustentação oral impactante e persuasiva.
Sustentação Oral: Estratégias para Engajar os Julgadores

No universo jurídico, a sustentação oral é o momento de protagonismo do advogado na tribuna, onde a oratória e a clareza de argumentos podem fazer a diferença entre o sucesso ou o insucesso de um recurso. 

Neste artigo, apresentaremos as principais estratégias para uma sustentação oral eficaz, com dicas práticas e um roteiro que integra o uso da tecnologia jurídica.

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Sustentação Oral: O que é?

A sustentação oral é a exposição oral dos argumentos realizada pelos advogados durante a sessão de julgamento, esclarecendo e enfatizando pontos essenciais que podem ser determinantes para a decisão dos magistrados. 

Esse procedimento não apenas complementa o que foi exposto por escrito, mas também permite a interação dinâmica com o colegiado. 

Em essência, trata-se de uma oportunidade única para esclarecer pontos controvertidos, destacar precedentes e enfatizar o mérito da causa, contribuindo para a formação de uma decisão mais embasada.

É um instrumento que alia retórica e técnica jurídica, contribuindo para a defesa dos direitos do cliente de forma mais humana e persuasiva.

Em qual momento ocorre a sustentação oral?

A sustentação oral ocorre em sessão de julgamento, após a exposição da causa pelo relator e antes do encerramento do julgamento colegiado. 

Nessa etapa, o presidente da sessão distribui a palavra, concedendo tempo definido (geralmente 15 minutos, conforme estipulado no CPC/15) para cada parte – recorrente, recorrido e, quando aplicável, o Ministério Público – expor seus argumentos. 

Esse momento é crucial, pois permite ao advogado interagir com os julgadores, reforçando pontos estratégicos e ajustando a argumentação de acordo com as nuances que surgem durante a sessão.

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Quando é cabível a sustentação oral?

A aplicação da sustentação oral varia conforme a natureza da ação e o rito processual adotado, sendo prevista para a maioria dos recursos, mas com especificidades que merecem atenção detalhada. 

A seguir, exploramos as hipóteses mais relevantes, segmentadas por regime processual:

Sustentação Oral no CPC

Conforme o artigo 937 do CPC/15, a sustentação oral é prevista para diversas modalidades recursais, garantindo que, após a exposição inicial pelo relator, cada parte tenha o direito de sustentar suas razões durante a sessão de julgamento.

Ela pode ser utilizada para reforçar argumentos em casos de:

  • Apelação; 
  • Recurso ordinário;
  • Recurso especial;
  • Recurso extraordinário;
  • Embargos de divergência;
  • Ação rescisória, mandado de segurança, reclamação; e 
  • Agravo de instrumento contra decisões interlocutórias sobre tutelas provisórias,O dispositivo legal estipula um prazo improrrogável de 15 minutos, permitindo que os advogados se concentrem nos argumentos essenciais. 

Além disso, o inciso IX do referido artigo abre margem para que os regimentos internos dos tribunais complementem ou ampliem as hipóteses de cabimento.

Sustentação Oral Estratégias para Engajar os Julgadores.

Sustentação Oral em Agravo de Instrumento

Com as inovações do CPC/15, a sustentação oral passou a ser possível em agravos de instrumento interpostos contra decisões interlocutórias que versem sobre tutelas provisórias de urgência ou da evidência (Art. 937, inciso VIII, CPC).

Essa hipótese permite que, mesmo em decisões que não tratam diretamente do mérito, o advogado possa, na tribuna, enfatizar a necessidade de uma análise aprofundada e, eventualmente, questionar a decisão monocrática que impacta o andamento processual.

Sustentação Oral no CPP

No âmbito do Processo Penal (CPP), a sustentação oral tem papel fundamental em recursos, especialmente em casos de apelação criminal. 

Embora o rito seja específico, a regra geral de exposição oral visa assegurar a ampla defesa, possibilitando que o advogado reforce a argumentação escrita com nuances que podem ser decisivas na reavaliação dos fatos e da dosimetria da pena.

Sustentação Oral em Habeas Corpus

Embora o habeas corpus seja um instrumento célere e prioritário, há hipóteses em que a sustentação oral é permitida, especialmente quando se trata de decisões colegiadas que envolvem questões urgentes de liberdade. 

Assim, é imprescindível que o advogado conheça o regimento interno do tribunal que está advogando, para saber se há previsão legal para sustentação oral de habeas corpus.

Sustentação Oral no TRT

No âmbito da Justiça do Trabalho (TRT), a sustentação oral é realizada, principalmente, em recursos ordinários e agravos de petição. 

Cada Tribunal Regional do Trabalho adota procedimentos próprios – desde o tempo de duração até a forma de apresentação – exigindo que o advogado se familiarize com o regimento interno para otimizar sua intervenção e garantir que os argumentos sejam apresentados de forma clara e objetiva.

Novas Conquistas no Estatuto da Advocacia

A Lei 14.365/2022, que atualizou o Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994), ampliou os direitos de sustentação oral. 

Segundo a nova redação do art. 7º, os advogados e advogadas podem usar a palavra “pela ordem” em qualquer tribunal – seja judicial ou administrativo – para intervir pontualmente e esclarecer equívocos ou dúvidas sobre fatos, documentos ou afirmações que possam influenciar a decisão. 

É possível realizar sustentação oral por videoconferência?

Sim, a legislação prevê a possibilidade de sustentação oral por videoconferência. 

Conforme o §4º do artigo 937 do CPC:

“Art. 937, § 4º,CPC. É permitido ao advogado com domicílio profissional em cidade diversa daquela onde está sediado o tribunal realizar sustentação oral por meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real, desde que o requeira até o dia anterior ao da sessão.”

Essa modalidade visa ampliar o acesso à justiça e garantir que a distância geográfica não seja um empecilho para o pleno exercício da defesa.

Dicas para uma boa sustentação oral

Para transformar sua sustentação oral em um momento decisivo e memorável, considere as seguintes estratégias avançadas:

  • Análise aprofundada do processo: 

Vá além da leitura superficial dos autos. Realize uma análise minuciosa dos documentos, das provas e dos argumentos já apresentados, identificando nuances que podem ser exploradas na sustentação.

  • Elaboração de um roteiro detalhado: 

Estruture sua apresentação de forma lógica e coerente. 

Divida seu discurso em partes: uma breve saudação, a exposição dos pontos principais, a sistematização dos argumentos jurídicos (idealmente, com três pilares argumentativos robustos) e, por fim, uma conclusão impactante com os pedidos. 

A Jurídico AI pode ajudar na criação e organização desse roteiro, basta acessar nossa plataforma e descrever o que deseja expor ao magistrado. 

Assim, nossa IA jurídica irá criar um modelo personalizado com uma boa fundamentação para te auxiliar no seu caso.

  • Treinamento intensivo e ensaios práticos: 

Realize simulações da sustentação oral, preferencialmente gravando sua apresentação para avaliar entonação, ritmo e clareza. 

Solicite feedback de colegas ou mentores, e esteja preparado para ajustar seu discurso conforme o tempo estipulado. 

A prática constante é essencial para reduzir a ansiedade e garantir uma apresentação fluida e segura.

  • Domínio técnico e emocional: 

Além do conhecimento técnico, é vital demonstrar empatia e segurança ao se comunicar. 

Mantenha uma postura respeitosa e evite jargões excessivos que possam tornar o discurso inacessível. 

Utilize exemplos concretos que ilustrem a aplicabilidade dos seus argumentos na realidade dos tribunais, tornando sua sustentação não só técnica, mas também humana e persuasiva.

  • Adaptação ao ambiente e uso de recursos tecnológicos: 

Se a sustentação oral ocorrer por videoconferência, certifique-se de que o ambiente esteja preparado – iluminação adequada, conexão estável e um cenário profissional. 

Além disso, esteja preparado para utilizar ferramentas de compartilhamento de tela, caso seja necessário apresentar documentos ou gráficos que reforcem seus argumentos.

  • Cuidado com a linguagem e o tempo: 

Seja objetivo, evitando a prolixidade e a leitura literal de um roteiro decorado. 

Mantenha o foco nos argumentos mais relevantes, ajustando seu discurso conforme as reações dos julgadores. 

Respeitar o tempo limite não é apenas uma exigência processual, mas também uma demonstração de profissionalismo e respeito pelo colegiado.

A Arte de Convencer na Tribuna

A sustentação oral é a oportunidade final para o advogado transformar argumentos escritos em uma performance oral persuasiva e decisiva. 

Ao dominar as regras processuais, utilizar estratégias bem planejadas e se preparar com o apoio de ferramentas tecnológicas como o Jurídico AI, o advogado pode não apenas transmitir confiança, mas também influenciar positivamente a decisão dos magistrados. 

Em um cenário cada vez mais dinâmico e exigente, investir na qualidade da sustentação oral é sinônimo de excelência na defesa dos direitos do cliente.

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O que diz o artigo 937 do CPC?

O artigo 937 do CPC dispõe que, na sessão de julgamento, após a exposição da causa pelo relator, o presidente dará a palavra, sucessivamente, ao recorrente, ao recorrido e, quando aplicável, ao membro do Ministério Público, concedendo a cada parte um prazo improrrogável de 15 minutos para sustentarem suas razões, conforme as hipóteses estabelecidas no dispositivo.

Quem sustenta oralmente primeiro?

Normalmente, o recorrente é o primeiro a sustentar oralmente. Após a exposição dos autos pelo relator, o presidente da sessão chama o recorrente para apresentar seus argumentos.

Como assistir sustentações orais?

As sustentações orais podem ser acompanhadas presencialmente nos tribunais ou, quando disponível, por meio de transmissões via videoconferência. Muitos tribunais disponibilizam essas sessões em suas plataformas oficiais, permitindo o acesso ao público e aos profissionais do direito.

Quando cabe sustentação em agravo?

A sustentação oral é cabível em agravos de instrumento interpostos contra decisões interlocutórias que tratem de tutelas provisórias – tanto de urgência quanto da evidência –, possibilitando que o advogado questione a decisão monocrática e reforce argumentos essenciais ao caso.

Quais os riscos de ultrapassar o tempo estipulado para a sustentação oral?

Ultrapassar o tempo regulamentado pode resultar na interrupção imediata da apresentação, prejudicando a exposição dos argumentos e afetando a avaliação dos julgadores, além de demonstrar desorganização e desrespeito às normas regimentais.

Qual a importância da sustentação oral no julgamento dos recursos?

A sustentação oral possibilita que o advogado esclareça e reforce os pontos essenciais do recurso, oferecendo uma oportunidade para interagir com os julgadores e influenciar a decisão de forma direta e imediata.

Como se preparar para uma sustentação oral eficaz?

A preparação inclui um estudo detalhado dos autos, a elaboração de um roteiro claro e objetivo, ensaios práticos (preferencialmente gravados para análise) e o uso de ferramentas como o Jurídico AI para identificar precedentes e organizar os argumentos de forma estratégica.

Quais os principais cuidados com o tempo durante a sustentação oral?

É fundamental respeitar o limite de  tempo estipulado pelo tribunal, evitando a prolixidade e a leitura literal do roteiro. A organização dos argumentos em tópicos prioritários e a prática de ensaios ajudam a manter a apresentação dentro do tempo permitido.

Como a tecnologia impactou as sustentações orais?

A tecnologia ampliou o acesso à sustentação oral, permitindo que advogados realizem suas apresentações por videoconferência. Isso facilita a participação de profissionais de diversas localidades e possibilita o uso de recursos visuais, como o compartilhamento de tela, para reforçar os argumentos.

Quais os erros mais comuns cometidos durante a sustentação oral?

Erros frequentes incluem: excesso de prolixidade, leitura literal do roteiro, falta de foco nos argumentos principais, nervosismo excessivo e inadequação da linguagem ao público dos julgadores. Evitar esses erros pode melhorar significativamente a eficácia da apresentação.

Larissa Santos Teles Larissa Santos Teles 18/02/2025

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